| UTI “lugar de morte e de vida...”. |
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| Sex, 26 de Fevereiro de 2010 10:43 |
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Encaminhar um familiar a UTI, ainda é motivo de angustias e medos. “Chegou o fim da linha...”. O estigma que esta Unidade carrega, já há vários anos, ou seja, desde sua criação, vem sendo motivo de preocupação, principalmente daqueles que trabalham nas mesmas.
Contudo várias estratégias adotadas por nossa Associação (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) têm como foco, mudança de paradigmas como estes. O aprimoramento profissional através da capacitação de médicos e equipes envolvidas já demonstrou de forma consistente, mudança de resultados (redução de mortalidade, redução de tempo de internação, entre outros). Com este objetivo, o Hospital Santa Clara tem investido na qualificação e busca por nível de excelência neste atendimento prestado. Sabemos das dificuldades e dos desafios, mas com o envolvimento e participação de todos, e o amplo apoio administrativo da Instituição, estamos caminhando! A criação de protocolos de tratamento, individualizados e consistentes com a literatura médica atual, assim como uma CCIH (Comissão de controle de Infecção Hospitalar) atuante, conseguimos mudar nosso perfil de infecção, assim como melhorar nossos resultados. A participação da Instituição em grupos de protocolos como o Surviving Sepsis Campaign vem como ferramenta de relevante importância neste processo. Estaremos participando junto com o Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), de uma campanha que objetiva a melhoria nos resultados do tratamento de Sepse (Infecções graves) na UTI. O Hospital Santa Clara, através de sua atual administração, tem buscado um nível de excelência em atendimento aos seus clientes, e nossa Unidade de Terapia Intensiva, está totalmente engajada nesse “alvo”. Entretanto, conforme dados do IBGE, “A população brasileira está cada vez mais velha, seguindo uma tendência que se observa desde 1992. Pessoas com 60 anos ou mais, que eram 7,9% da população brasileira em 1992, passaram a ser 11,1% . Já o índice de crianças de até 9 anos, que representava 22,1% dos brasileiros há 17 anos, chegou a 15,5% em Este envelhecimento, infelizmente, não tem ocorrido com qualidade de vida em sua maioria, logo por vezes estamos diante da finitude, o que culturalmente como humanos e/ou médicos, ainda temos dificuldade de entendimento. Aqui volto à primeira frase que mencionei: “UTI lugar de morte e de vida...”. Com todo investimento na busca da sobrevivência, temos consciência que nem todos serão salvos, logo, esta também tem sido uma preocupação de nossa equipe. O entendimento da finitude humana e elaborar este momento é tão importante, quanto à cura. Perdas abruptas, e/ou inesperadas são dolorosas e exigem um amparo, o qual necessitamos nos preparar. Contudo, existem casos em que o fim é presumível e nestes casos também temos muito a fazer. Neste momento utilizar de nossa empatia, e na relação de transferência e contratransferência buscarmos dar amparo aos familiares e ao próprio paciente (quando este ainda participa do processo), é grandioso, e também prazeroso. Para tanto, se faz necessária uma equipe multidisciplinar, com assistência social e psicológica integral. Este desafio não é menor. Logo, embora na UTI busquemos a todo instante a vida, nos preocupamos com a finitude e em como, como equipe, auxiliarmos familiares no seu entendimento. Por este motivo, é muito bom estar nesse processo, que creio estar no Plano daquele que nos conduz cada dia, e como compromisso que temos com Ele, executarmos nossa missão: Buscar a vida, mas em plenitude, e conforto quando nossos esforços não estiverem na vontade de Deus! (para todos que acreditam) A UTI do Hospital Santa Clara ainda busca um nível de excelência, mas temos o instrumento principal para esta orquestra reger grandes melodias: A vontade e uma equipe qualificada, em crescimento.... Claudio Rezende Mendonça Coord. Clínico UTI Adulto |







