Você se considera uma pessoa estressada?

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Qualidade de Vida PDF Imprimir E-mail
Sex, 26 de Fevereiro de 2010 10:26


Aristóteles relacionava qualidade de vida a sentimentos de felicidade, realização e plenitude. Estamos falando de um filósofo da Antiguidade já tentando buscar um significado para o termo qualidade de vida.

Segundo a Organização Mundial de Saúde( OMS), a qualidade de vida é “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.” Perceba que isto inclui saúde física, estado psicológico, níveis de independência, relacionamento social, características ambientais e padrão espiritual( Hag et al., 1991).

Existem fartas publicações, incluindo livros, falando sobre qualidade de vida. Aí incluem-se índices de aferição de qualidade de vida, isto mesmo, mensurações algébricas, ou quase isso, para que determinada população( de portadores de enfisema, por exemplo) saiba se, apesar de sua doença, possui qualidade de vida.

Numa população geral, sem doenças, a percepção de qualidade de vida geralmente se dá pela percepção de se sentir bem, saudável, emocionalmente estável, equilibrado. Ou seja, física e emocionalmente bem. Cá entre nós, coisa rara estes dias, não acha?

Vejamos estes dados:

  1. Cerca de  52% da população brasileira consome álcool. 25% dos brasileiros bebe muito.
  2. Cerca de 38 milhões de brasileiros são fumantes.
  3. 38% da população brasileira dispende 48 horas e 26 minutos por dia em frente a um computador navegando na internet.
  4. Nos Estados Unidos, estima-se que apenas dois em cada três indivíduos com hipertensão arterial têm seu quadro diagnosticado. Desses, 75% são tratados com medicamentos e apenas 45% destes recebem um tratamento adequado

O que isso acima tem a ver com qualidade de vida?

52% dos brasileiros provavelmente sentem que teriam uma vida com menos qualidade( alegria, entrosamento social, desinibição) se não bebessem. Isso não é bom.

38 milhões de brasileiros odiaram a primeira vez que tragaram um cigarro. No entanto, foram escravizados por este vilão, e provavelmente sentem que o cigarro, de alguma forma, traz qualidade de vida( vide definição acima), mesmo sabendo que pode produzir algum mal a sua saúde. Também nada positivo.

Se tanta gente passa tanto tempo em frente ao computador, provavelmente muitas pessoas estão ou são sedentárias, o que vai contra um bom estado físico, parte fundamental do sentimento de qualidade de vida.

Se 1 em cada 3 pessoas portadoras de hipertensão passa sem diagnóstico, significa milhões de pessoas com a percepção de qualidade de vida, mas com uma doença silenciosa que mina a pessoa lentamente, sem o menor sinal e sem a menor piedade.

O que queremos dizer é simples. Buscar qualidade de vida em revistas, comprimidos milagrosos, receitas mágicas é cômodo, tentador.

No entanto, muito mais simples e rápido, é percebermos que milhões de pessoas fumam, ingerem álcool( muitas vezes excessivamente), são sedentárias ou são hipertensas sem saber.

Ao abandonarem o vício, passarem a praticar algum exercício físico regular ou procurarem um médico preventivemente, muitas e muitas pessoas que pensam que qualidade de vida está na receita da televisão, da vizinha ou em algum 0800, na realidade, saberão que qualidade de vida se inicia em não destruí-la antes de procurar tê-la. Não depedrá-la antes de ir atrás de milagres. Mexer o esqueleto e trocar um pouco do tempo que usa para navegar para caminhar, correr ou andar de bicicleta.

Estamos complicando as coisas para nossa vida sem perceber. Pense nisso!



Luiz Henrique Guerreiro Vidigal
Especialista e Clinica Médica e Medicina Intensiva.
Diretor Administrativo Hospital Santa Clara.